quarta-feira, 16 de março de 2011

PUNAÚ - UMA HISTÓRIA POUCO CONHECIDA

Reforma Agrária que deu certo

O Projeto de Colonização de Punaú foi idealizado e executado pela Arquidiocese de Natal, no início da década de 60. Na época, a Arquidiocese tinha como bispo auxiliar e depois administrador apostólico, Dom Eugênio de Araújo Sales. Em 1960, foram instaladas, em Punaú, dez famílias de imigrantes japoneses. A idéia era que as técnicas agrícolas dos japoneses servissem de modelo para os futuros colonos. Atualmente, das dez famílias japonesas apenas uma permanece residindo na comunidade. Em 1963, foram instaladas as famílias potiguares. No total, a antiga fazenda, comprada pelo Governo do Estado e entregue à Arquidiocese de Natal, foi dividida em 49 lotes, doados a 49 famílias.

Ruas e prédios, em Punaú, receberam nomes de pessoas que fizeram parte da história da Arquidiocese, na época do Movimento de Natal. No centro da Comunidade, onde há as casas das famílias, há cinco ruas: Dom Nivaldo Monte, Dom Eugênio Sales, Otto Guerra, Antônio Malta e Felipe Néri. As duas escolas da Comunidade também homenageiam figuras da Arquidiocese: a municipal leva o nome de Dom Alair Vilar e a estadual recebe o nome de Dom Eugênio Sales.
Hoje, a maioria dos primeiros colonos de Punaú já faleceu. No entanto, muitos dos responsáveis pelos lotes, são filhos ou parentes dos antigos colonos.

Verdadeira Comunidade

Para Dona Das Neves, um fato marcou a história do Projeto de Colonização de Punaú: o verdadeiro sentido de comunidade. “Aqui, era todo mundo muito unido. Era uma comunidade que vivia muito bem, no silêncio, uns ajudando aos outros”, recorda.

Sobre este assunto, Dom Heitor Sales, também tece um comentário: “Ao longo dos tempos, o povo daquele lugar foi construindo a mentalidade do que é, realmente, viver em comunidade. Ainda hoje, se percebe que lá não há mais ricos nem mais pobres. Todos vivem bem, como uma classe média rural”.

Passados 44 anos, Dona Das Neves diz que valeu a pena ter deixado a Ilha Bela para viver em Punaú. “A gente morava em terra dos outros. Eu pedia muito a Deus que mandasse um lugar pra gente morar, que fosse nosso. E Ele mandou esse. Nossa vida melhorou muito, nesses anos”, conta Maria das Neves, que por muitos anos foi líder da comunidade.

Apoio da Misereor

Para executar o Projeto, a Arquidiocese, através da Fundação Pio XII, solicitou recursos a Misereor, que o aprovou, no valor de cem mil dólares. Na época, o então Pe. Heitor de Araújo Sales estava em Roma, participando do Concílio Vaticano II. Ele recorda que foi até à Alemanha, para receber o dinheiro. “No Brasil, havia uma inflação muito alta. Por isso, pedi que o dinheiro do Projeto fosse dividido em cheques de três e de cinco mil dólares. Era para facilitar a distribuição do dinheiro, pela Arquidiocese”, recorda Dom Heitor. Ele também lembra uma frase do Mons. Dossing, diretor da Misereor, em visita a Punaú, nos idos da década de 60: “Estou vendo que este é o único projeto de colonização, financiado pela Misereor, que deu certo”.

No livro Igreja e Desenvolvimento - o Movimento de Natal, de Alceu Ferrari, no capítulo dedicado à colonização de Punaú, há a seguinte afirmação: “se não fossem os financiamentos da Misereor, a experiência-piloto teria ficado na compra do terreno e nos primeiros trabalhos de saneamento”.

A “Misereor” é uma agência de desenvolvimento católica, da Alemanha, fundada em 1958, contra a fome e a doença no mundo.

Presença da Igreja, hoje

No centro da Comunidade está a Capela de Nossa Senhora da Conceição, onde há celebração de missa a cada quinze dias, nas quintas-feiras. Mas, a Igreja não é aberta apenas no dia da missa. Diariamente, a comunidade se reúne, à noite, para rezar o terço. “Antes, a gente só abria a Igreja no dia de celebração da missa. Em 2006, Dom Matias esteve aqui e nos orientou para abrir a Igreja diariamente. A partir daí, começamos a abrir todas as noites e rezar o terço. No início, foi difícil, porque o povo não participava. Mas, agora, graças a Deus, o povo participa bem. Há noites que a Igreja fica quase cheia”, conta a Ministra Extraordinária da Eucaristia, Ana Maria Ferreira.

A comunidade também conta com a organização de vários grupos: Legião de Maria, Movimento da Mãe Peregrina, Grupo de Jovens, catequese, entre outros.

O principal objetivo da experiência de Punaú, “foi demonstrar aos Poderes Públicos que era viável e economicamente compensador o aproveitamento agrícola dos 40.000 hectares de vales úmidos do Estado do Rio Grande do Norte”.

(Fonte: Jornal "A Ordem" - Arquidiocese de Natal)

Um comentário:

wiqaeyas disse...

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